domingo, 13 de dezembro de 2009

05:28 3
Nas primeiras vezes a sensação é de êxtase. Aceitação num mundo complicado, que só se via em filmes, novelas, comerciais de aparelho celular, carros e margarina. Parecia que todos, enfim, me aceitavam como eu sou (eu como falei que era no vestíbulo da coisa).

Duas semanas foram assim, todos os dias a mesma curtição, conhecendo as pessoas, compartilhando, rindo e concordando, sempre, com o dono da “bola”.

Mas na terceira semana, acabou. Murchou.

Antes, estava fazendo o que gostava na teoria e o sabor feérico da coisa é ótimo. A prática é uma merda.
Tinha comigo o conceito que envelhecemos quando paramos de aprender e acho que essa teoria ainda é válida, posto que não consegui refutá-la. A rotina (o tempo gasto nela) nos envelhece, pois nos impossibilita de continuar aprendendo. E é a esse envelhecimento que não estamos preparados para enfrentar. Enjoamos do jogo assim que desvendamos todos os seus macetes. Enjoamos do celular quando nos familiarizamos com todas as suas funções e atalhos. Enjoamos das mulheres quando todos os seus orifícios estão explorados. Enjoamos de tudo quando cai na rotina. (Sinceramente, nessa ultima oração ia escrever ‘vida’ no lugar de ‘tudo’, mas não uso esse santo termo em vão). Flexiono os verbos na primeira pessoa do plural para deixar o texto mais aconchegante, pois o singular é singular.

Na ida, sou o filho da puta que acordou que ira passar o dia todo na rotina financeira (contas a pagar, fazer boletos de pedidos, reclamar com o gerente do banco que preciso de dinheiro para uma compra e que o mesmo ainda não foi liberado, ouvir reclamação de que um boleto ainda não chegou, ligar cobrando CNPJs inadimplentes, etc).

Na volta, sou o filho da puta cansado que paquera mulheres em todos os lugares (ponto de ônibus, cachaçaria onde paro para tomar uma cerveja (Itaipava a R$ 3,00), ônibus, farmácia, supermercado, restaurante no almoço, fila da lotérica, fila do churros, fila do sorvete MacColosso) e que geralmente não é correspondido porque elas estão cansadas demais para esses joguinhos. Mas que quando é correspondido não faz nada, está somente querendo testar e passar o tempo, resíduo da supracitada rotina.

Agora, sou o filho da puta que tem um domingo sem futebol pela frente. A chuva impossibilita de ir comprar jornal e levar o cachorro para passear (tirá-lo dessa rotina de cão).



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3 comentários:

  1. Bom é conhecer um novo eu a cada dia. Isso torna o mundo menos chato e rotineiro.

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  2. É tudo muito chato mesmo. O mais chato é quando nos perguntamos: Pra que? Pra que trabalhar? Só pra ter status, satisfazer nossas vontades, consumir... Somos escravos do prazer, por isso nos submetemos ao trabalho ou usamos o consumo como válvula de escape para fazer sentido nossa rotina? Esse pensamento sempre me aflige.
    Mesmo nos trabalhos que gostamos a gente se enche. Isto é fato. E nunca estamos completos.

    Bjo querido!

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  3. Olá...só para dizer q voltei,depois d 2 meses...
    =)

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