quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
Um homem nos contou

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"Ao grande poeta, que tinha como folha o espaço e o tempo."

 - O processo de criação do poema: das primeiras linhas até o acabamento. Feito quando da morte oscar niemeyer.

A saber:
exemplo = parte rasurada e retirada do poema
(exemplo) = parte acrescentada


Depois do sonho
um rabisco




um (de) rabisco em rabisco
o que começou em sonho


De rabisco em rabisco
o sonho ganha formas
canetão (em) preto na lousa branca

as nuvens
o sorriso da criança
a mulher que se ama

ao arquiteto tudo é fonte



De rabisco em rabisco
o sonho ganha formas  (é impresso)
preto no branco da lousa

as nuvens
o sorriso da criança
a mulher que se ama

emprestam formas (curvas) para o homem (sonho) homem

que arquiteta a si (o homem) a si, antes da obra.




De rabisco em rabisco
o sonho é impresso
preto no branco da lousa (num mundo em branco)



as nuvens
o sorriso da criança
a mulher que se ama

emprestam curvas para o  homem


que arquiteta a (Arquiteto de) si, antes da obra (de obras).




De rabisco em rabisco
o sonho é impresso
preto num mundo em branco

as nuvens
o sorriso da criança
a mulher que se ama

emprestam curvas para o  homem

Arquiteto de si, antes de obras.



Depois de pronto, lido e relido penso no título: Um homem nos contou.
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quinta-feira, 7 de abril de 2011
Queria saber gostar ...

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Queria saber gostar tanto assim
gostar tanto sem fazer desse tanto
muito, demais, transbordado.
Ser copo cheio e belo copo cheio
sem ser copo cheio e vazado de tão cheio
lambuzado
sujo.

Ser um peixe no rio
e ser o peixe do rio que ela fisgou
e ser peixe no rio fisgado
escolhido
mas que continua no rio.

Crédito da imagem: Wellington Souza

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sábado, 26 de março de 2011
Depois da estreia

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Haverá a estreia. Não importa, agora, consumado que o fato se consumará, pensar se nossas expectativas serão satisfeitas ou não. É apertar a gravata, retocar a maquiagem, ajeitar o espartilho, calçar o salto, ficar descalço, rasgar um pouco mais a roupa (até ficar perfeito trapo). Limpar o suor que escorre nos rostos de todos.

Estreias são sempre assim. Seja na sala de cirurgia, na quadra de esportes, na sala de aula. No teatro, no cinema, literatura, artes-plásticas, fotografia. Diante do primeiro ovo a ser frito, ante o primeiro gozo solitário ou à primeira tentativa de suicídio.

Diante disso tudo, só nos resta subir no palco, no altar, pular a cerca, a ponte, a corda. Dar o pontapé inicial na bunda ou na bola.

Depois de tudo, do caos, da ventania, dos suores todos... pela manhã, exibir o lençol na janela, sujo de sangue. "Era virgem." "Era virgem!!" Foi virgem...

crédito da imagem: Wellington Souza  estátua de A. Rodin/ Pinacoteca do Estado de São Paulo
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segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
Os suores

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O suor começa a brotar na testa e sigo em ritmo moderado. Sem paixões arrebatadoras, sem grandes desilusões: no ponto entre o sucesso e o fracasso (que só chegarão ao final. E juntos). Há fracassos no sucesso. Tudo aquilo que não poderemos mais fazer foi o preço de conseguir uma única coisa que derreterá em nossas mãos. E não, necessariamente, fracasso no sucesso.

Trabalho inútil e sem esperança?

A primeira gota passa pelos meus olhos, ensandecida pelos passos frenéticos, enquanto imagino o caminho restante – talvez o único que, com certeza, seguirei. A certeza do parto ante as contrações. Os outros caminhos? É um absurdo pensar neles, em suas trilhas. Apenas andamos na direção, ‘no rumo’, como dizem os mineiros. Vou para o leste, mas ignorante. Absurdo.

O rosto já está encharcado e o corpo, cansado. As pernas já descompassadas e os dedos trocando letras. Talvez o cérebro descompassado e trocando letras. Não falo mais como antes. Controlo a respiração, a inspiração, mas a transpiração inunda a mim e a todos que me tocam. Meus textos são essa transpiração: sinal evidente de cansaço e falência do ser.



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segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
Faça deus rir

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Agora, com a página do blogspot aberta, lembrei-me de um trecho do filme "Amores Perros" em que a menina fodida fala para o seu ex-amante fodido: “Se quisermos fazer Deus rir, basta lhe contarmos nossos planos". Não digo isso pela época de final de ano que nos faz repensar o que passou ou sonhar com o que virá, não. Mas sim pela constatação de que, na postagem anterior deste blog, me comprometera a atualizá-lo periodicamente (e não esporadicamente, com continuo a fazer).

Apesar de não crer em Deus, essa frase sempre se mantém presente. Talvez porque tudo o que faço, quando revejo, sinto que está meio torto (coisa de 70%) e sempre merece correção. Em estatística, mais precisamente econometria, usa-se um intervalo de confiança para se trabalhar com previsões – por exemplo: com 90% de certeza afirmamos que certa variável estará entre 8 e 10 pontos. Usam isso para a previsão do tempo, para as meta de inflação, crescimento de populações e sempre que se trabalha com previsão. Artimanha para não fazer ninguém rir.

Crédito da imagem: Wellington Souza

Você falar que se fizer isso, isso e aquilo e depois estará feliz, fará, certamente, 'Alguém' rir. E nem me refiro apenas às probabilidades de isso e aquilo não ocorrerem exatamente como se desejou, mas quantas vezes tudo foi perfeito (do latim: fazer inteiramente, terminar sem deixar afazeres) e ainda não ficamos felizes? A felicidade, de tão exata, chegar a ser intangível.

Felicidade, por conceito é 'consciência plenamente satisfeita'. Isso quer dizer: não querer mais nada, nada mais desejar. Se você deseja que o momento não acabe, não é felicidade. Pois há certa angústia e essa felicidade não comporta medos ou preocupações. Felicidade é se considerar num eterno presente, imutável de tão sólido. Se você pensar: eu sou feliz? Esqueça, ela não suporta questionamentos.

Por isso sempre me lembro da frase. Sempre que encontro uma 'solução fenomenal' para os problemas que surgem (ou que invento, tanto faz), lá vem ela numa espécie de lembrança fantasiosa – ou mantra... é uma imagem toda negra com uma risada que começa imperceptível e vai se alongando... em ternas frações de segundos, até que a frase venha ditada por uma voz do além.

Mas isso não faz de mim um cara pessimista, que não crê em nada (somente no mito de Sísifo: aquele 'cara' da mitologia grega que é condenado a ficar subindo uma pedra montanha acima... e sempre que chega ao destino, ela desce novamente e ele reinicia o trabalho indefinidamente). Acredito, como Camus, que muitas pessoas agem assim... mas se estou fazendo o que faço hoje, é porque tenho planos e acredito, embora eu aja tão sistematicamente quanto é possível.
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quinta-feira, 18 de novembro de 2010
A volta / poesia-digital

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Ééééé... Sr. Blogspot. Quase te troquei pelo myspace...

Apesar de ter deixado o 'hiper-link' para trás e ter dado um 'up' na fachada, continuará (continuarei) : continuaremos, enfim, os mesmos. Como serpentes, nos descamamos mas nem por isso nossos corpos cessam de sulcar o chão.

Hoje, teremos um experimento com poesia-digital.

Segundo a etimologia, "poesia" (em suas formas antigas de grafia) designavam "criação, confecção, fabricação". E não necessariamente versos, como no sentido atual. Daí poesia-digital (aportuguesamento meia-boca, dizem estudiosos...) para o que é feito artisticamente a partir de softwares.

Neste, usei o programa SONY VEGAS 10, um vídeo baixado, uma música do Baden Powell e a voz da amiga Lety e a de um "anônimo".

Não ficou perfeito, encarem o lado lúdico.

Abraço e sejam re-bem-vindos!




Se gastarem, há outras obras no site Comunidade Literária Benfazeja

crédito da imagem: Wellington Souza / Pinacoteca do Estado de São Paulo

HELENA FEBRIL

Suava.

Seus poros emanavam
não apenas líquido
que em vão tentavam retirar
do corpo
o calor excessivo.

Fluíam também
olhares-de-sereia.

Era imprescindível amar.

A febre ansiava
barro para forjar um corpo varão
e dele
de sua costela
sair mulher.

por Wellington Souza
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