quinta-feira, 30 de julho de 2009

01:24 10
…, são 04:22 da madrugada ainda há ânimo de começar uma postagem.

POEMA

Fiz para o espaço-escrita. O exercício era, a partir de uma imagem dada (um piano, um papel com notas-musicais escritas), escrever um texto em qualquer gênero. Escrevi com eu-lírico feminino mais uma vez, como se a mulher fosse o piano que, sem ser utilizado, não tem sentido de ser (existir) no mundo. E depois que um homem a toca, vai se criando o mundo até se desfazer novamente ao final da sonata.



SONATA DA CRIAÇÃO

Seu caminhar não abalou o silêncio pré-genesíaco
que dorme.
Aproxima, sorri, senta-se
hálito com hálito.
Toca meu dedo anelar
e o martelo,
ainda tímido,
faz vibrarem meu nervos
que soam leve o bastante para embalar o primeiro sol do recém-mundo
e arrepiar-me toda, ali.
Logo taca também o segundo
e o terceiro
e as notas vão regendo as coisas e os seres,
e o quarto
e a mão
e me faço, enfim
– me faço não; e me faz
enfim
ser ouvida, vencendo o vácuo e o infinito!
para um instante depois quietar,
esbaforida
– esbaforida não, esbaforidos
de tanto soar e tocar e suar.
Ainda,
antes de partir,
fecha-me a calda e acaricia
de tão leve
que apenas as pontas dos dedos me pulem e me engorduram.
E tudo volta ao pré-genesíaco
e nem ouço seus passos o afastando.



MONOGRAFIA

Sobre a monografia, descobrir que havia uma falha em como fiz o modelo no Excel. Roda-lo-ei novamente, agora corretamente. Mas esse assunto é chato, deixa pra lá.
Estão vendo esse chat ai ao lado? Então, para usa-lo é necessário cadastro (falar um nick, senha e colocar o e-mail e pronto, já pode usar). Com isso feito, dá pra colocar um no seu blog também. Daí é só conversar!



ARTIGO PARA A REVISTA

Estou também preparando um artigo para a revista. Levantando a filosofia da composição de alguns autores. Para isso, vendo e lendo entrevistas, cartas etc dos mesmos (já que a maioria, ao contrario de Poe, não nos deixou esse legado formalmente, em forma de artigo). Alguns, como Drummond, escreveram poemas em que exteriorizam seu modo de criação; mas decidi não utilizar essa fonte pela subjetividade que contem (visto que é um eu-lírico que se manifesta nestas obras).

As que estão em áudio (ou vídeo), transcrevo os trecho que me interessam. Tem uma muito boa do Drummond (trecho abaixo). Gostaria de citar a Clarice Lispector também, mas ainda não encontrei pistas de como compõe sua obra – ou melhor encontrei, mas de forma tão subjetiva que ainda não sei como usa-la. Um link para uma entrevista que ela concedeu para o jornalista Júlio Lerner (programa Panorama Especial – TV Cultura, 1977) poucos meses antes de falecer.

Ao ler qualquer texto de caráter informativo, gosto de citar fontes confiáveis sobre o assunto. De pessoas que fazem, fizeram ou estudaram sobre o determinado tema. Afinal, minha opinião não vale de nada à vocês. Argumentação, sem citação, para mim é retórica, não enriquece.


ESPELHO

“As mudanças de natureza íntima que nós temos… nossos interesses evoluem, nós passamos por diversas estações: não são quatro dentro de nós não, são inúmeras. E essas estações nem sequer são sucessivas, elas às vezes são imbricadas umas com as outras, elas se confundem, então nós não sabemos hoje o que sentiremos amanhã, e essa precariedade, essa falta de continuidade do sentimento humano é o maior entrave ao amor.”


Andrade, Carlos Drummond de. GLOBO NEWS - ARQUIVO N : CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE. Link no you-tube, Rio de Janeiro. 2007.

* lembremos que o texto foi transcrito, ou seja, não era um texto, e sim uma fala.

Pronto: 05:22 da madrugada. Hora de acordar em sonhos.

Comente com facebook



10 comentários:

  1. Nossa! Muito criativo.. Madrugadas Trazem altas Inspirações/hehe

    Beijo ;*

    ResponderExcluir
  2. Adorei o poema!
    Sério, muuito bom!

    Achei legal o fato de você procurar fontes antes de escrever um texto, oque é sempre bom.

    Gostei de tudo aqui.

    ;)

    ResponderExcluir
  3. Lindo poema
    Lindo trabbalho esse para revista

    Bjks

    ResponderExcluir
  4. Parece um poema escrito a partir do ponto de vista de um piano de cauda... Ficou realmente muito bom e, obviamente, bem escrito...

    ResponderExcluir
  5. As madrugadas me inspiram também
    O poema é lindo tocante
    suas palavras são leves hehe
    gostei do blog em geral

    ResponderExcluir
  6. Estupidamente erótica a sua poesia. Gostei bastante! (e isso é difícil pra mim!) Gostei muito do seu blog, muito pela grande variação de textos, de diversa natureza.

    Seu blog está entre os meus favoritos.

    Abs!

    ResponderExcluir
  7. Você está se tornando uma criatura de hábitos noturnos... rs.
    Po Ciri, tá gostando da brincadeira de encorporar o eulírico feminino? Cuidado com isso hein!
    O que aconteceu com sua monografia? Vai ter que fazer tudo de novo?
    Bjo

    ResponderExcluir
  8. Faço eco àqueles que gostaram do seu poema.

    Abraço.

    ResponderExcluir
  9. Lorena, Cynthia, Aninha e José. Naty, Marcelo, Deco: obrigaod por deixarem um "salve", fico muito feliz que tenham gostado!

    @*Lili*
    então... pior que tem um conto ainda inédito em que a persona principal é mulher tb...rsrs

    Mas só para constar, no ato de imaginação das cenas, me imagino como o homem que desperta esses sentimentos nelas. (Por isso q nesse poema o cara toca e vai embora, ou é sempre meio desapegado...) rsrsrs

    Nossa, quando eu for gente-grande será que vão fazer um estudo psicoanalitíco em cima da minha obra? rsrsrs

    ResponderExcluir
  10. É madrugador também? eheh boa cara tens talento eu que sou um cara fudido burro fico de cara mesmo.

    ResponderExcluir