sábado, 23 de maio de 2009

00:13 5
Terceira e Penultima parte.
A ultima já está escrita, falta só digitar (escrevo em papel mesmo, fazer o que, faz parte da filodofia da composição, também conhecido como: cada louco com a sua mania.)

Agradeço não só aos elogios, mas à cumplicidade dos três acompanhantes dessa "novelinha":
Liliane
Oddie
e a Joana Camila



ENCONTRO. 3

Estou sentado na varanda do meu quarto, que dá para os quintais das casas vizinhas. O dia está claro, mas o sol ainda não veio, e seu tapete vermelho já é manchado nas nuvens, e aponta onde nascerá (direção que não é nova, visto que estou na varanda onde tantas vezes o vi chegar). Os pássaros anunciam a chegada do Rei.

Fumo o quarto cigarro da minha vida, este está menos amargo e mais triste, o prazer do segundo foi o melhor.

A seguir, de como as coisas se deram essa noite.

Fui para o bar, e fiquei aguardando. Troquei o tradicional X-Bacon por um X-Salada, para manter a alma um pouco mais limpa, a cerveja faz parte no projeto alvejante. São nesses momentos pares antecessores de momentos impares, que comprovamos a existência de vários universos. Vejamos uma análise embasada naquelas mesmas teorias que me detive a explicá-la em nossa primeira conversa... De como não há diferença para o cérebro (ou fisiologicamente), entre o que os sentidos captam, isso que achamos que vivemos, e o ato que imaginarmos situações. De tudo o que vivemos essa noite, contar-lhes-ei um terço delas, posto que as outras partes somente elas viveram: o caminho até o bar e depois indo-nos para casa e no antes e no após o filme. Em uma obra de arte cada qual vê, sente uma coisa, pois ela desperta as distintas lembranças do nosso álbum de figurinhas.

Chegaram o lanche e a segunda cerveja. Se fosse em outros tempos, minha lábia seria o tacape, a levaria para casa e quando acordasse, trepariamos. Apesar que, se fosse nesses tempos, teria eu nascido na casta dos líderes espirituais ou estaria fazendo igual àqueles macacos fracos e sem lugar no bando, que apenas se masturbam encima de qualquer árvore. A dominação nesses tempos de pax se dá pele persuasão, olhos-nos-olhos e mão entrelaçadas. Não posso tirar os olhos dos dela e tenho que manter um meio sorriso no rosto. Fazê-la perceber que estou a imaginando nua, mas sem olhar em demasia para os seios ou para a bunda, caso ela se levante. Para um segundo encontro, depois de já ter beijado, daí sim pode-se deixar o animal de eterno cio tomar conta. “Por hora, você tem que demonstrar através de gestos e expressões calculada que deseja cada parte do corpo dela e que, se necessários fosse, ergueria uma ponte para ficarem juntos… nada de se jogar de ponte em função dela, mulher nenhuma quer que o cara se jogue da ponte, até que ficariam felizes, e tristes por estarem feliz, mas isso acabaria com a brincadeira.”

Estou no desafio das ultimas dentadas no lanche e elas chegam. Não sei se X-Salada é um bom índice para ela. Deixei o resto de lanche no prato. Limpei a boca com guardanapo e me levantei para cumprimentá-las.

E isso de que o gato “brinca” com o gato depois de predá-lo é apenas uma fábula. Após segurar o roedor com uma das patas, não tarda em se utilizar das poderosas mandíbulas para destroçar o céfalo, engoli-lo e fazer o mesmo com as demais partes do corpo.” Detive-me a essa ultima lição e não prestei atenção ao nome da amiga, mas nada que não venha a saber mais tarde, a noite será longa, espero.

Sentam-se. Mesa quadrada e de plástico, típica de bar. Cadeiras também de plástico.

“Acabei de comer. Já deixei avisado com o menino para que, quando vocês chegassem, ele trazer mais dois copos… até pedi para deixar no congelador os copos, para ficarem perfeitos à degustação da cerveja…”. “Nossa, que honra… chegaram… pode deixar que eu sirvo a gente… Tim-tim. Há algum filme que, por algumas horas, irá nos tirar de nós mesmos!”. “Tim-tim”, repetimos a amiga e eu. Achei que estava querendo me impressionar – ou querendo impressionar quem achava que eu era, àquele cara que conheceu na sala de informática, suponho. Meio sorriso ficou mais natural.

Durante sua conversa, procurei olhá-la nos olhos.

Quanto à amiga, essa tinha um ar sereno. Cabelos negros e lisos, pele um pouco morena, meio mediterrânea, meio indígena. Até agora não tinha sorrido, ao menos não reparei, não compartilhava a alegria da outra. Mas também não mantinha a boca de tudo fechada, os lábios separados expiravam desalento, que deixavam sua imagem um pouco insossa, mas leve.

“Para hoje separei um Godard, acho que vão gostar, pois a estória central é de uma mulher francesa jovem que busca ser atriz, ou mais que atriz, busca sua essência, seu contentamento… pelo menos li dessa forma… e tem diálogos ricos, acrescenta, sabe…Viver A Vida, o nome”. “Que bom, não vimos muito de Godard, mas sempre escutamos falar dele e dos diretores da nouvelle vague… Trufaut… vimos o Bande à Part, dele, do Godard, um clássico, né? Esse filme é o preferido do Tarantino, sabia? E, olhando para a amiga, acrescentou: “ Dá vontade de fazer a louca que vem à cabeça, ou arrumar uma para deixar essa monotonia da vida mais azul, ver se tangemos a liberdade…” Enquanto enchia os três copos, respondi, olhando-a. “Não sabia… mas é bem a cara dele mesmo, falam que nesse filme Godard fez uma homenagem ao cinema norte-americo do gênero. É mais difícil de achar filmes do Trufaut na net… mas também procurei uma vez só…”. Rimos. Ela mantinha um sorriso franco desde que chegou, como que ainda não desperta de uma estase sexual, ou na eminência de um.

Até agora a amiga estava muda, somente observando. Olhava-me enquanto eu buscava os olhos da outra, e a olhava se esquivando de minhas empreitadas psicológicas. Ela já sabia o que eu queria, para ambas já tinha ficado claro, acho.

Olhar para a amiga e falar de liberdade e loucura me deixou um pouco atônito. E também achei um tanto sutil da parte dela dizer que “não vimos muito de Godard, mas sempre escutamos falar dele…”. O uso do pronome pessoal no plural indica uma cumplicidade, um elo que transcende a amizade… será que carregam consigo uma a imagem na outra encardida em seus sub-conscientes? Pior que não me vem à mente um método seguro (de baixo risco) que me permita testar essa hipótese e ter resultados confiáveis.

"Vamos pedir outra, ou já vamos ver o filme? estou ansiosa por ver Goudard novamente.”. “Por mim podemos ir. Temos uma garrafa de vinho na geladeira;uma não, umas!”. “Hum, você está premeditando demais as coisas essa noite…”, olhava para mim e afastou um pouco a cabeça e o corpo para trás, meio sorriso no rosto e pela primeira vez procurou os meus olhos, mesmo que brevemente. “Sou um homem-cirurgico: gosto de pensar na ação, da reação e rerreação.” Rimos os dois. A amiga permaneceu calada, apenas franziu os lábios, esboçando um sorriso que logo se acanhou. Resolvi conjugar verbos na primeira pessoa do plural também, pois ele dissolve o egoísmo das ações e dos planos; além do efeito citado acima.

Nisso, a conta chegou. Cada uma pagou o equivalente a uma cerveja e eu o restante. Ao me levantar, tomo cuidado de alinhar logo minha camisa, de modo que as meninas não percebam minha ereção. Tenho em mente que sentimento sem ação leva à ruina da alma. Novamente o bicho do querer a devorar.

Comente com facebook



5 comentários:

  1. To curiosa para saber o desfecho e muito decepcionada, afinal se a moça é tão interessada e a amiga tão sem graça por que ela levou a mesma? Mulheres são complicadas hein.
    Também me decepcionei com o rapaz. Isso reforça a teoria de um certo amigo meu que diz que tudo que o homem faz é pensando em comer mulher... rs
    No mais, belo conto. Muito interessante mesmo.
    Bjo

    ResponderExcluir
  2. caraca viu meu, to sentindo a expectativa como se fosse meu próprio plano elaborado para me dar bem...lendo seu conto começo a sentir revolta em ter perdido o telefone de duas lésbicas q eu beijei ( meu primeiro e ultimo beijo triplo ) em um show...merda...
    me avise quando sair o "quarto ato" heim

    ResponderExcluir
  3. To curiosaaa...
    =))
    essa tal amiga,hum fiquei aki a pensar q desfecho terá.
    PS.: desculpa a demoraaaa em passar aqui...afinal mesmo adorando os teus contos a uni me aperto esses dias.
    Paz e Luz
    Bjs

    ResponderExcluir
  4. Imagino que essa lenga-lenga toda vá desembocar num menáge a trois. Mas vou esperar e deixar você me surpreender.

    Críticas construtivas posso fazer, se quiser, mas em off.

    Abs,

    ResponderExcluir
  5. “Hum, você está premeditando demais as coisas essa noite…”



    Essa é a parte do corte, corta a liga do caralho, horrívellll!!

    A mulher quando ela quer, não tem que fazer esses joguinhos, ora pipocas!

    ResponderExcluir